"A mesma parte de um homem", um filme feito por mulheres

Encerraram-se, na última semana, no município de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, as gravações do longa-metragem paranaense "A mesma parte de um homem", da cineasta Ana Johann (do premiado “Um filme para Dirceu”, 2012). O filme foi vencedor do edital de Produção e Distribuição de Obras Audiovisuais na categoria longa-metragem, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), em parceria com a Agência Nacional de Cinema (ANCINE), no valor de R$ 1 milhão. O orçamento estimado da produção é de R$ 1,7 milhão – o montante complementar foi captado pela empresa produtora do filme, a Grafo Audiovisual.
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18/03/2019 - 16:10
Editoria
Vencedor do edital de Produção e Distribuição de Obras Audiovisuais na categoria longa-metragem, promovido pela SEEC, em parceria com a Ancine, novo longa-metragem de Ana Johann tem equipe quase inteiramente feminina.

Encerraram-se, na última semana, no município de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, as gravações do longa-metragem paranaense "A mesma parte de um homem", da cineasta Ana Johann (do premiado “Um filme para Dirceu”, 2012).  O filme foi vencedor do edital de Produção e Distribuição de Obras Audiovisuais na categoria longa-metragem, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), em parceria com a Agência Nacional de Cinema (ANCINE), no valor de R$ 1 milhão. O orçamento estimado da produção é de R$ 1,7 milhão – o montante complementar foi captado pela empresa produtora do filme, a Grafo Audiovisual.

Segundo a diretora, o longa, que começou a ser escrito em 2012, não teria possivelmente saído do papel tão cedo sem ter vencido o edital, que possibilita a realizadores do Paraná acesso a recursos federais da Ancine, além da verba estadual, sem que tenham de enfrentar a disputa por vezes desigual com projetos de regiões oriundos de pólos cinematográficos mais consolidados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

Um dos diferenciais mais significativos de "A mesma parte de um homem" é a composição quase inteiramente feminina de sua equipe. Além de Ana Johann, na direção, o filme conta com mulheres em papéis-chave: Alana Rodrigues, que coassina o roteiro do longa com Ana; Hellen Braga (direção de fotografia); Fabiola Bonofiglio (direção de arte) e Isabella Fonseca (direção de figurino). Sem falar que o longa-metragem tem uma protagonista feminina: Renata, vivida pela atriz Clarissa Kiste, de Ferrugem, premiado longa-metragem do diretor Aly Muritiba, também produzida pela Grafo Audiovisual.

“Tivemos, com todas essas mulheres trabalhando juntas, um set de filmagens amoroso, respeitoso e muito criativo. Como não tínhamos um ‘capitão’ para mandar, não houve brigas no set. Foi um processo muito colaborativo, profundo”, conta Ana, muito satisfeita com o recém-encerrado processo de gravações do filme. A rodagem durou cerca de um mês, com 24 diárias, realizadas na região rural de São José dos Pinhais, para além da Colônia Muricy, de origem italiana.

"A mesma parte de um homem" gira em torno de Renata, uma mulher de quarenta anos que vive em uma vila rural com seu marido (Otávio Linhares) e uma filha adolescente, vivida pela estreante Laís Cristina, escolhida entre 120 candidatas. Inicialmente, Renata concebe o medo como um sentimento corriqueiro em sua existência, mas ao passar por algumas situações, entre elas a morte inesperada do companheiro, a personagem começa a encontrar o desejo e a pulsação da vida, a redescobrir-se. Completam o lenço principal o ator pernambucano Irandhir Santos (de “Aquarius” e “Tatuagem”) e o paranaense Zeca Cenovicz (de “O Filho Eterno”).

Como Ana Johann viveu até os 14 anos em uma vila rural muito semelhante ao local onde a ação do longa se passa, o roteiro veio de um lugar bastante próximo, íntimo da diretora. “‘A mesma parte de um homem’ é sobre pessoas que cruzaram o meu caminho, memórias da minha infância mas ao mesmo tempo, travestidas em outros corpos, em outras histórias, já que como contadora de histórias eu posso simular mundos e possibilidades.” (Texto: Paulo Camargo/SEEC)

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