Três dias de muita emoção e plateias cheias tomaram conta do auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) neste final de semana. O Balé Teatro Guaíra abriu oficialmente sua temporada de apresentações de 2026 com “Tempo de Movimento”, que reuniu quase 6 mil pessoas. A temporada também marca a despedida do bailarino Rodrigo Leopolldo, que segue para uma carreira na Europa e foi homenageado na última apresentação de domingo (29).
“Tempo de Movimento” marcou o retorno de “Unwaltz, isso não é uma valsa” do coreógrafo Mathieu Guilhaumon – apresentado em maio de 2024 – e de “Stol - uma questão de confiança”, de Alessandro Souza Pereira, e que teve uma pré-estreia simultânea na Dinamarca e no Guairinha no ano passado. “Tempo de Movimento” trouxe também a estreia de uma obra inédita: “Sospiri - ou sobre a finitude”, um entreato criado pelo diretor do Balé Teatro Guaíra, Luiz Fernando Bongiovanni .
Reunidas, as três peças abordam, sob diferentes perspectivas, a ideia de ciclos como um movimento contínuo de reorganização e foram criadas a partir de obras da música clássica, executadas pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob a regência do maestro convidado Gustavo Petri. Enquanto “Unwaltz” se edifica a partir das valsas de Johann Strauss II (1825–1899), “Sospiri ou Sobre a Finitude” se desenvolve sobre o adágio Sospiri, de Edward Elgar (1857–1934), e “Stol” ganha seus contornos coreográficos ao som do célebre Bolero de Maurice Ravel (1875–1937).
Para o público que assistiu “Tempo de Movimento” foi uma experiência profunda e emocionante. A engenheira Maria Gaetner é frequentadora assídua das apresentações do Balé Teatro Guaíra e da Orquestra Sinfônica do Paraná e se encantou com a apresentação de Unwaltz. “Foi uma experiência maravilhosa, uma sincronia excelente entre música e dança, e achei interessante trazer uma valsa que vai se modificando com uma coreografia mais contemporânea, foi bem diferente”, disse.
A professora e advogada Ursula Andreia Ramos veio acompanhada da mãe e da filha assistir à apresentação de balé e se emocionou com “Sospiri”. “Foi tudo maravilhoso e me emociona demais ouvir a música ao vivo e perceber os sentimentos envolvidos, as emoções que afloram nas coreografias. Fiquei comovida com Sospiri, fiquei tão imersa que não consegui nem fazer um registro. Foi lindo”, contou.
“Foi tudo muito lindo e fiquei muito maravilhada com Stol, muito bonito mesmo”, disse a mãe de Úrsula, a aposentada Lourdes de Campos. “Foi espetacular, a harmonia dos bailarinos, os elementos cênicos, tudo condizia muito bem dentro do espetáculo”, comentou a filha de Úrsula, a estudante Andrea Dias, de 12 anos.
A estudante de pós-graduação Amir Bovenschulte destacou o equilíbrio entre as três apresentações. “Tinha uma primeira parte que trazia uma leveza, a segunda que trazia um drama e o fechamento com a última apresentação que senti uma forte potência, como se fosse algo da terra, achei sensacional, da leveza para o drama, e fechando com o movimento mais potente”, avaliou.
SOBRE AS COREOGRAFIAS - “Unwaltz - isso não é uma valsa”, tem coreografia do bailarino francês e atual diretor artístico do Ballet Nacional Chileno, Mathieu Guilhaumon, música de Strauss, cenografia de Beto Rolnik e figurinos de Janaína Castro. A figurinista esteve na apresentação de sexta-feira e ficou fascinada com o resultado do seu trabalho em palco.
Ela, que vive e trabalha em Belo Horizonte, conta que não conseguiu participar da estreia do espetáculo em 2024 e somente agora pôde ver o resultado do seu trabalho nos palcos. “Eu fiquei tão emocionada, fiz os figurinos a distância e não pude vir. Quando eu soube que teria novamente a apresentação, eu não poderia perder essa chance e vim para assistir, foi tudo muito lindo, o cenário, a coreografia no palco, com a luz e figurino, fiquei muito feliz”, conta.
“Sospiri ou Sobre a Finitude”, a nova criação de Luiz Fernando Bongiovanni é um dueto interpretado pelos bailarinos Fernanda Verardo e Leonardo Giacomini. A obra foi inspirada no adágio Sospiri, do compositor inglês Edward Elgar, e trouxe ao palco uma reflexão poética sobre a ideia de finitude, não apenas associada à morte, mas aos diversos ciclos que marcam a experiência humana.
De autoria do coreógrafo Alessandro Souza Pereira, “Stol”, que em dinamarquês significa “cadeira”, também tem o sentido de “confiança” — é um indicativo de algo que é construído pelo homem, se contrapondo à ideia de natureza. Na obra, os bailarinos do BTG usam o corpo e os movimentos para falar sobre contrastes, marcados também pelo figurino, com uma máscara que cobre todo o rosto dos artistas.
PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES - Encerrada a temporada de “Tempo de Movimento”, o Balé Teatro Guaíra agora deve se preparar durante os próximos dois meses em uma criação inédita: “Giselles”, uma releitura da clássica obra Gisele. O espetáculo contará novamente com a participação da Orquestra Sinfônica do Paraná e será apresentado em uma longa temporada no fim do primeiro semestre, entre os dias 12 e 21 de junho.


























