Em homenagem ao aniversário de 73 anos do Centro Juvenil de Artes Plásticas (CJAP), a instituição reuniu alunos, pais e colaboradores para um evento comemorativo nesta terça-feira (16). A celebração foi marcada pela entrega de certificados aos alunos e alunas que se destacaram em concursos internacionais, a doação de uma obra de Osmar Carboni ao espaço e apresentação musical de Thiago Lima.
Pessoas de todas as idades celebraram juntas o 73.º aniversário do CJAP, que em 1953 foi inaugurado a partir da idealização do artista Guido Viaro e da professora Eny Caldeira. Antes chamada de “Escolinha de Arte”, a instituição foi pensada para estimular, ensinar e desenvolver as habilidades artísticas de crianças e jovens paranaenses. Hoje, mais de 600 alunos são atendidos semanalmente pela equipe do CJAP, que conta com profissionais capacitados que carregam a paixão pelo ensino e buscam ampliar cada vez mais o legado da arte e cultura na vida dos menores.
O diretor da instituição, Luiz Gustavo Vidal, enfatizou o papel pioneiro e o impacto social do espaço, destacando que a data representa um marco não apenas para o CJAP, mas para todo o Paraná por se tratar do único estado a possuir um equipamento desse gênero voltado a crianças e adolescentes. "Ele é um centro formador de pessoas, de cidadãos, de percepções, de olhares. O CJAP tem uma atividade muito importante na geração de novos talentos, novos profissionais, novas pessoas para o amanhã", afirmou o diretor. Para ele, a longevidade da instituição é a prova máxima de que o trabalho segue o caminho correto: "A gente fica emocionado, esses 73 anos mostram que a gente está na direção certa. Então, isso nos orgulha muito".
Ao refletir sobre a transformação do espaço ao longo dos anos, a coordenadora Adriana Dalazen destaca que o propósito diário da equipe vai muito além do ensino técnico: "Não é ensinar a arte, mas é ensinar pra vida. Quando a criança desenha, ela pode olhar diferente para o mundo, ela vai começar a entender o mundo de outras formas, olhar para aquilo que é belo". Ela ressaltou que a arte funciona como um contraponto essencial diante das adversidades cotidianas e explicou que o trabalho atual é a continuidade de um legado construído coletivamente. "Cada pessoa que trabalha aqui busca levar esse legado, colocando cada vez mais um tijolinho nessa estrutura que foi feita em uma base sólida lá no seu início", pontuou a coordenadora.
CONCURSOS INTERNACIONAIS - No evento também foram entregues certificados a alunos e alunas que se destacaram em concursos internacionais de desenho. Orientados pelas professoras de desenho Denise Wendt e Jaqueline Bellani, oito alunos foram classificados nos concursos International Children’s and Young People’s Art Competition - Always green, always blue; e a 24.ª Bienal Internacional de Arte Gráfica para Crianças e Jovens, ambos da Polônia.
A professora Denise Wendt destacou o orgulho de ver o reconhecimento dos alunos e a evolução de seus trabalhos. Ex-aluna do espaço, a antiga “escolinha de arte”, Denise revelou que a oportunidade de guiar a nova geração e vê-la conquistar espaços, inclusive em concursos internacionais, representa uma satisfação pessoal. "Participar dos 73 anos do CJAP e conviver com as crianças e adolescentes, com toda essa produção, observando o crescimento deles, a evolução em cada desenho e a participação é uma realização", afirmou a professora. "Fui aluna e vivenciei toda essa questão de arte e tendo a oportunidade de oferecer isso para os alunos é uma alegria. Vejo os pequenos conquistarem os espaços e cada trabalho que eles enviam é uma nova porta que se abre", concluiu.
O impacto transformador do CJAP ganha contornos especiais sob a ótica das famílias, como relata Marile Bravo, mãe de uma aluna que foi destaque nos concursos. Enaltecendo o papel social da instituição, Marile ressaltou o ensino inclusivo oferecido no local: "A arte salva. Salva da tristeza, salva do preconceito, salva das coisas negativas que a gente tem na volta e esse lugar faz isso, ele traz a arte de uma forma tão linda por ser uma instituição pública e acessível". Para ela, o reconhecimento dos trabalhos da filha é a prova da equidade. "Eu fico feliz que minha filha, sendo uma criança com síndrome de Down, foi classificada, sem ser identificada, então isso coloca uma inclusão no processo", celebrou. "Espero que o CJAP continue aí por mais 73 anos fazendo esse trabalho e trazendo a juventude, as crianças, de encontro com a arte".
HISTÓRICO - Na comemoração do centenário da emancipação política do Paraná (1953), foi realizada em dezembro a 1.ª Exposição de Pintura do Centro Juvenil de Artes Plásticas, com cerca de 1.000 trabalhos selecionados entre os 15 mil testes efetuados nas escolas de Curitiba e região metropolitana.
A proposta de Guido Viaro foi receber, como alunos do CJAP, indistintamente, crianças de todas as classes sociais, dos mais variados contextos. A Escola era e ainda é totalmente gratuita, uma imersão no universo infanto-juvenil que proporciona um ambiente formativo que dispõe de aulas e conversas que atravessam estudantes, professores e artistas.
Antigamente, as aulas eram ministradas inicialmente no sótão da Embap, desocupado e limpo pelas próprias crianças e pelo mestre Viaro, que instalava ali também seu próprio ateliê. Com o tempo, o centro cresceu e passou a atender crianças e adolescentes no subsolo da Biblioteca Pública do Paraná. Mas, em 1989, o CJAP finalmente ganhou sua instalação fixa, que foi reformada na metade dos anos 2000 e hoje atende milhares de alunos todos os anos, levando os trabalhos do CJAP pelo Brasil e mundo, e trazendo o mundo ao CJAP.




















