Projeto paranaense é destaque no Pavilhão Brasil da Bienal Brasileira de Arquitetura

A proposta, que carrega profundamente as múltiplas identidades presentes no território e na cultura paranaense, com referências diretas a Vilanova Artigas, Lolo Cornelsen e Jaime Lerner, valoriza a preservação e a ressignificação dos espaços, compreendendo a adaptação como um ato cultural e sustentável, capaz de atualizar a arquitetura sem apagar sua essência e sua memória.
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05/03/2026 - 17:21
Editoria

A arquitetura paranaense ganha projeção nacional com o projeto “A Casa que Dança”, que venceu a etapa estadual do concurso do Pavilhão Brasil da Bienal Brasileira de Arquitetura (BAB). A proposta representará o Paraná numa iniciativa que reuniu mais de 1.300 inscritos dos 27 estados brasileiros em um amplo panorama da arquitetura contemporânea, tendo como cenário o chamado Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, que estará aberto para visitação entre os dias 25 de março e 30 de abril.

Cada unidade federativa será apresentada por uma residência de aproximadamente 100 m², concebida para traduzir a pluralidade, a criatividade e a inovação de cada estado na arquitetura brasileira. O projeto paranaense não é apenas assinado pelo escritório curitibano. Todos os fornecedores, parceiros, artistas e designers são do Paraná, o que demonstra a riqueza da produção paranaense.

Além de mostrar o jeito de morar e de fazer do paranaense, “A Casa que Dança” partiu de um gesto simbólico ao reconhecer a força e a permanência da arquitetura modernista paranaense. O projeto defende que a casa existe antes mesmo de ser habitada: ela nasce no projeto, consolida-se na construção e se reinventa nas reformas que mantêm sua história viva. 

A proposta, que carrega profundamente as múltiplas identidades presentes no território e na cultura paranaense, com referências diretas a Vilanova Artigas, Lolo Cornelsen e Jaime Lerner, valoriza a preservação e a ressignificação dos espaços, compreendendo a adaptação como um ato cultural e sustentável, capaz de atualizar a arquitetura sem apagar sua essência e sua memória.

Para a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a presença do Paraná no concurso evidencia a força da produção arquitetônica do Estado no cenário nacional. “O Paraná é um estado que reconhece a arquitetura como expressão cultural e artística. Temos, ao mesmo tempo, tradição e inovação, profissionais altamente qualificados e uma produção contemporânea que dialoga com o Brasil e com o mundo. Ver um escritório paranaense representar nosso Estado em um concurso dessa dimensão nos enche de orgulho e demonstra a vitalidade da nossa arquitetura.”

A secretária também ressalta que valorizar a arquitetura é valorizar memória, identidade e qualidade de vida. “O Governo do Paraná entende que a cultura também se manifesta no espaço construído, nas casas, nos edifícios e nos projetos que moldam a experiência urbana”, pontua. 

Com prédios e residências de relevância nacional, além de arquitetos e urbanistas que marcaram gerações, o Paraná consolidou uma identidade arquitetônica própria. Princípios como a integração entre forma e função, o essencialismo e a busca pelo conforto permanecem atuais e dialogam diretamente com a produção contemporânea. Ao reverenciar o passado como fundamento do futuro, este projeto se apresenta como uma homenagem simbólica da arquitetura contemporânea paranaense à sua herança modernista.

Segundo o arquiteto e urbanista Edgard Corsi, do escritório Boscardin Corsi Arquitetura, que assina o projeto, “a ideia é que quem é de fora do Estado e visite nosso espaço lá no pavilhão consiga enxergar o que é uma produção do Paraná, que a gente consiga interpretar realmente o Paraná como um todo e quem é de fora conhecer essa arquitetura do Paraná e quem é do Paraná e for visitar que se sinta muito representado nessa questão de autenticidade da raiz do seu próprio estado”, explica.

CASA E LEMINSKI —  Além dos famosos arquitetos paranaenses, o projeto também conversa com um importante nome da literatura paranaense e brasileira: “A gente se inspirou numa poesia do Paulo Leminski, então é uma casa que dança com o tempo, que dança com as mudanças, está sempre em mudança, ‘tudo dança hospedado numa casa em mudança’. Essa é a frase que a gente quis representar: a casa está lá, mas ela sempre está dançando com o tempo, com o novo morador”, finaliza Corsi.

O concurso do Pavilhão Brasil é realizado por meio de um processo aberto, colaborativo e transparente, conduzido pela plataforma Archa, e convida profissionais de todas as regiões do país a conceber espaços que expressem as múltiplas dimensões da arquitetura nacional. Mais do que selecionar propostas, a iniciativa fortalece pontes entre profissionais, marcas e público, ampliando a compreensão do projeto arquitetônico como bem cultural e instrumento de transformação.

Serviço

Bienal de Arquitetura Brasileira 2026

Pavilhão das Culturas Brasileiras

Parque Ibirapuera, São Paulo/SP

25 de março a 30 de abril de 2026, das 12h às 21h

 

Ingressos

R$ 100 (inteira) aos finais de semana

R$ 80 (inteira) durante a semana

Vendas exclusivamente pelo site oficial da Bienal

 

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